Música e Relaxamento Físico e Emocional

Para tocar um instrumento saudavelmente, antes precisamos relaxar os músculos.

Não é necessário sentirmos dor ao tocarmos um instrumento. Se isso ocorrer pode significar um aviso do seu corpo pedindo pausas entre os períodos de estudo, mas também pode ser indício de tensões musculares desnecessárias.
Existe a falsa crença da parte de alguns de que para o som sair vigoroso é necessário tocar apertando os dedos nas cordas com bastante pressão. Isso é mito e pode causar tendinite. No violino, quanto maior o relaxamento muscular melhor para o som, para a agilidade, para o vibrato e para a saúde do corpo. Mesmo em trechos vigorosos não é necessário tensão muscular. Há como saber ser enérgico sem tensão. Para aumentar o volume sonoro também não é necessário usar força .
Alongamentos antes dos períodos de estudo também evitam tendinites, e relaxam a musculatura.
Um outro aspecto da questão do relaxamento, é o relaxamento emocional.
A música tem o poder de melhorar nosso humor, abaixar o stress e proporcionar relaxamento emocional, subindo nossas frequências vibratórias para melhor. Sendo assim, consequentemente traz mais saúde , realização e satisfação em quem toca um instrumento.
Quem ouve também se beneficia do relaxamento emocional igualmente porque ao escutarmos algo de que gostamos, ficamos mais leves e felizes.
Músicas como as de Mozart por exemplo trazem uma grande paz e tranquilidade nos ambientes.
Bach é considerado como antidepressivo.
A musicoterapia usa terapeuticamente diversas músicas eruditas de diversos compositores para beneficiar o paciente em algum aspecto.
Saiu no jornal O Semanário, Rafard-SP uma reportagem de Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo que é bacharel em direito com especialização em dependência química pela USP-SP/GREA muito interessante sobre o benefício da música p o coração e para as plantas. Vou citar alguns trechos desta reportagem para vocês:
“As pesquisas científicas indicam que ouvir música, assistir shows e apresentações musicais em teatro fazem muito bem a saúde das pessoas, ajuda no equilíbrio emocional e faz bem aos animais e também para as plantas.”
A reportagem ainda diz que foi feito um estudo apresentado no Congresso anual da Sociedade Européia de Cardiologia em Amsterdã em 2013 que demonstrou que ouvir música faz bem ao coração ajudando pacientes do coração a se recuperarem.
Também lembra que quando ouvimos músicas das quais gostamos produz-se endorfina, melhorando a circulação, produzindo dopamina que nos dá alegria e motivação.
A reportagem ainda lembrou o pesquisador Masau Emoto com suas experiências com a água, submetendo-a a pensamentos diferentes….”concluiu que palavras , música ou pensamentos fazem com que as moléculas da água se comportem de maneiras diferentes, se organizando, criando maravilhosos cristais ou se desorganizando quando em sintonia com músicas estridentes como a exposta ao som de um havy metal, o mesmo ocorrendo diante do som ” de uma ameaça de morte”.
Ainda abordou que a música clássica faz plantas e animais se desenvolverem melhor.
Quem quiser se aprofundar na pesquisa do pesquisador Masaru Emoto, dei um enfoque na parte das moléculas de água se organizando sob influências musicais eruditas na matéria “Dr.Massaru Emoto e a Música transformando a água” aqui neste blog.
Para quem ama violino pode procurar assistir vídeos de David Oistrakh pois ele é um grande exemplo de violinista que tocava sem tensão muscular. Observem a soltura do pescoço principalmente. Quando a musculatura relaxa , o som ” relaxa” também tornando ainda mais bela a sonoridade musical.

Professora Catarina

Imagem: pixabay.com

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Estudo e Performance Musical

Em qualquer matéria, não só em música, é preciso critério na hora de estudar.

Em se tratando de música, não resolve repetir a música ou o exercício inteiros sem parar. É preciso reconhecer os trechos difíceis e os tratar de uma maneira especial, tendo a paciência de repetir cada passo até que fique seguro e só então passar a outro passo.

Você sabe estudar?

Leva em consideração todo o passo a passo orientado pelo professor?
Ou acha desnecessário e fica apenas tocando para as paredes?
Essa reflexão pode mudar muito os resultados para um nível muito superior.
Alguns alunos gostam das orientações sobre performance, onde aprendem que aconteça o que acontecer durante uma apresentação, a música não pode parar e querem estudar dessa maneira sempre.
É preciso ter bom senso e honestidade consigo mesmo e separar as orientações na hora de estudar.
Por exemplo:
Numa apresentação , se você cometer algum engano, a orientação é para seguir em frente sem se desestruturar com o ocorrido. Isso cai mto bem como performance mas não deve virar um hábito na hora de estudar pois isso seria desonesto e sabotador consigo mesmo, visto que é necessário parar e corrigir cada engano incansavelmente até o superar e corrigir na hora de estudar.

Isso é o que o fará progredir e subir a níveis superiores de técnica e sonoridade.

Leve em conta que o violino é um instrumento onde somos nós que construímos a afinação, logo é imprescindível dedicar sempre a primeira etapa de um trecho novo a construção de uma boa afinação e só então somar outros requisitos ensinados pelo professor.
Somente após ter estudado cuidadosamente e criteriosamente os trechos segundo a orientação recebida é que se deve tirar um tempo para fazer a performance no período de estudo, desta vez sim como numa apresentação, sem parar e guardando na memória onde não sair muito perfeito para que se possa corrigir nos próximos períodos de estudo.

Imagens: pixabay.com

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Os Melhores Violinistas do Século XX – Parte 6 – Nathan Milstein

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Foto salva de ebay.com e encontrada no Pinterest

Nathan Milstein nasceu em 11 de dezembro 1902 em Odessa no Império Russo, onde hoje é a Ucrânia. Milstain é muito conhecido pelas suas interpretações de Bach, Paganini, Tchaikovsky, Mendelssohn e Beethoven. Foi o quarto de sete filhos numa família judia de classe média sem antecedentes musicais.

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Foto salva de Schubertiade Music and Arts e encontrada no Pinterest.

Iniciou seus estudos com 7 anos com Pyotr Stolyarsky , aliás este era maestro do grande virtuose de violino David Oistrakh.
Com 11 anos foi estudar com Leopold Auer, no Consrvatório de São Petesburgo. Leopold Auer era um famoso e conceituado professor da época.
Também estudou com Eugene Ysaye na Bélgica.
Formou um duo com Vladimir Horowitz , exímio pianista e juntos tocaram em concertos por toda a União Soviética e Europa (1995) e consolidaram uma grande amizade.
Estreou em 1929 como solista nos EUA com Leopold Stokowski e a Orquestra da Filadélfia. Mais tarde se tornou um cidadão dos EUA, e se estabeleceu em Nova York.
Nathan escreveu muitas das próprias cadências de violino. Também compôs variações sobre temas de Paganini e nomeou sua obra de “Paganiniana.”

Foto da esquerda salva por Phil Hilson (Nathan Milstein solando violino e o regente Karajan) e foto da direita salva de troychromatics.org e ambas encontradas no Pinterest.

Em 1948 se tornou o primeiro a gravar discos de vinil de 12 e 33 polegadas.
Ganhou o Prêmio Grammy Award por suas gravaçõs das Sonatas e Partitas de Bach em 1975.
Aos 82 anos e com altíssima técnica Milstein tocou em um recital em Estolcomo no ano de 1986 sem saber que seria o último pois logo depois caiu e fraturou gravemente sua mão esquerda, o que lhe ocasionou o fim de sua carreira.
O violino de Milstein era um Stradvarius “Goldman” 1716 mas ele o chamava de ” Maria Teresa” em homenagem a sua filha.

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Foto salva de britannica.com e encontrada no Pinterest.

Escreveu um livro em 1980 com suas memórias, onde relata sua biografia, suas experiências no meio musical, sobre maestros e compositores com quem teve contato e também de seus amigos músicos e suas experiências musicais ao longo da vida.
Faleceu em 21 de dezembro de 1992 em Londres com ataque do coração.

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Foto Visual Hunt
Vamos escutar Nathan Milstein? Clique nos links abaixo e ouça seu belo som.

Boa audição.

Nathan Milstein – Paganiniana

Sonata de beethoven op.47 e “Kreutzer Sonata”

Chaconne Bach – Nathan Milstein

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Concerto de Natal e Animações sobre música erudita.

 

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Chegou o final do ano, época de Natal, de encontros familiares, de celebração pelo nascimento de Jesus e claro, música!!!

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Escolhemos para vocês este áudio do youtube com quase uma hora de música erudita de um Concerto Natalino interpretado em 2017 pela Orquestra Sinfônica de Londres  de muita qualidade para que possam apreciar ou mesmo colocar de música de fundo no natal de vocês. Totalmente instrumental.

Christmas classic – Orquestra Sinfônica de Londres

 

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Também separamos algumas animações que não são natalinas mas que são muito bem humoradas para que possam desfrutar nos bons momentos do final do ano.

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Imagem de cena de ópera

Uma obra de qualidade nunca sai de “moda”, mas a cultura de um povo vai se modificando. Antigamente a ópera era mais comum até para a parte menos abastada do povo e as pessoas iam assistir óperas com frequência,  costumavam se reunir para saraus musicais, também se encontravam para recitar poesias. Não existia a televisão, nem a Internet e as reuniões entre pessoas com a arte presente eram mais frequentes. Hoje em dia encontramos óperas ótimas nos teatros e sempre vale muito a pena assistí-las. A ópera reúne muitas artes juntas, musical orquestral, cênica, vocal de altíssima qualidade, visual (decoração de palco, figurino, iluminação) e por este motivo é riquíssima e encantadora.

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Imagem de final de ópera

Por outro lado, com o surgimento do computador e da Internet surgiram outras formas de expressão artística como as animações por exemplo.

Essas que lhes apresentaremos tem como tema a música erudita e são muito bem feitas pois sincronizam as imagens das animações com as melodias musicais com muita criatividade.

Clique para apreciar:

La Linea Plays Mozart

Sinfonia (primeira Versão)

“Bequadro”

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Agradecemos as visitas de vocês em 2018 e desejamos-lhes um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo  e que estejamos juntos novamente em 2019!

Carolina e Catarina

Fotos: Pixabay

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Talento Nato x Talento Construído

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Um de nossos professores do Conservatório de Tatuí, sempre nos ensinou que existem dois tipos de talento sendo um o talento nato e o outro o talento construído.
Nós podemos verificar isso como uma verdade observando a nós, aos colegas de profissão e aos nossos alunos ao longo desses onze anos lecionando violino.

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Entender o que é o Talento construído derruba a falsa crença de que para tocar um instrumento musical, o estudante tem que ser prodígio e saber tocar maravilhosamente bem com muita mas muita facilidade. Sem retirar o mérito que os prodígios tem, e eles realmente tem muito talento, visto ser assombroso assistir uma criança de quatro anos tocando peças musicais que geralmente se aprende com doze anos de estudo ou mais e ainda por cima com a maturidade incrível de um adulto. Sim, esses casos existem sim e cada um tem a sua teoria para tentar explicar tais fenômenos mas não vamos entrar aqui neste mérito. O fato é que a grande maioria não é prodígio mas pode sim tocar muito bem. E aqui cai no que dissemos no nosso último artigo: não devemos nos comparar com os outros, a nossa luta é o auto-refinamento musical, somos nós conosco mesmos. Então como funciona o talento constrúído?

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No caso do talento construído o estudante sabe ter a paciência necessária e o amor a música suficiente para passar anos e anos se desenvolvendo, mas principalmente gastando o seu tempo de estudo estudando de maneira certa e não ” tocando para as paredes” sem parar como se sempre fosse a hora do concerto.
Saber pesquisar a afinação perfeita, levar em conta a soltura muscular, a postura, saber ouvir a as orientações de seus professores quanto a maneira de estudar cada trecho do exercício ou música e saber aplicar as ferramentas dadas pelos professores para desenvolver cada área do estudo, são coisas que fazem uma imensa diferença no resultado final. Os alunos que realmente ouvem as orientações e as praticam são os que melhor se desenvolvem e com maior qualidade. Ter calma para trabalhar desde a construção de uma peça ou estudo, cada detalhe técnico, cada detalhe artístico, interpretando com muito capricho e curtindo o caminho, afinal só quem ama muito a música e já a tem no coração consegue estudar tanto cada peça e por tantos anos mas curtindo tudo porque ama melhorar e refinar o próprio som. Os alunos que não ouvem as orientações dos professores e não as praticam, não colhem os melhores resultados em questão de qualidade.

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É como um cientista no laboratório de pesquisas só que as pesquisas são de som e não científicas. A grande maioria de músicos construíram seu próprio talento com muita dedicação, uns com mais facilidade em uma área, outros com mais facilidade em outras mas todos lutando para transformar suas dificuldades em qualidades e se rejubilando com cada conquista. A satifação de evoluir é uma recompensa que ninguém pode presentear a ninguém. Só nós nos damos este presente de realização interior.

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E vamos todos avante com muito amor pela música afinal, o que se concebe na mente e se sente no coração já é a metade do caminho para sua realização.
Desejamos a todos os estudantes muitas realizações.

Fotos:Pixabay

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Orquestra Landfill (Recycled) e Retire Bloqueios Mentais.

 

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Foto: Orquestra Landfill Harmonic  encontrada no Pinterest (salvo de vancouversun.com)

Quando um novo estudante começa a estudar música geralmente coloca tanto impecílio mental, tem tantas falsas crenças que fica inseguro e se comparando com todos os outros músicos.
Pensamentos como “eu não dou para a coisa” ou “estou muito velho para aprender” ou ainda “não tenho bom ouvido” são bloqueios mentais que os adultos tem na cabeça e que atrapalham muito sua paz interior para aprender.

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Foto on Visual Hunt

Veja a criança. Ela não tem esses bloqueios mentais, ela não se cobra acertar sempre, ela se aceita como consegue ser e essa característica faz com que tudo flua muito melhor. Quando o adulto tira esses medos da cabeça e se permite aprender algo novo sem se cobrar tanto, começa a deixar o estudo prazeroso e fluente também.
Comparações só devem ser feitas consigo mesmo anteriormente.
Todos têm dificuldades, muitas vezes em lugares diferentes mas estamos todos no mesmo barco.
A maioria dos alunos nos relatam que no início dos estudos fechavam portas e janelas para que ninguém os ouvissem tocando, mas depois eles aprendem que eles são os primeiros a terem que se aceitar. Como iriam relaxar se nem eles próprios se aceitavam?
E assim a arte vai trazendo a tona uma série de particularidades  humanas a serem transformadas.

Crédito da foto da esquerda : Wi2_Photography on visualhunt.com/CC BY-NC, foto da direita, o virtuose Yehudi Menuhim (foto salva de briony.org e encontrada no Pinterest).

Concordamos com o célebre virtuose do violino Yehudi Menuhim que afirmou que : “Não somos nós que aperfeiçoamos a música mas a música que nos aperfeiçoa”.
É saudável se inspirar em alguém profissional para ter o desejo de também tocar bem. Escutar boas referências ajuda e muito. Mas quando o estudante ouve outro estudante geralmente ele se compara e se julga.
Para ilustrar e ser mais clara vamos a um exemplo que ocorreu:
Um aluno estava se julgando “inapropriado para o violino” porque se comparou com um estudante que estava muito mais adiantado que ele, sendo que ambos tinham começado os estudos de violino na mesma época. Não percebeu porém o contexto inteiro. Não era ele que era incapaz ou inapropriado, o que ocorria é que o outro estudante se dedicava muitas horas por dia ao passo que ele não, logo, ele tinha a mesma capacidade bastava estudar mais.
Então é preciso muito cuidado com auto julgamentos e falsas crenças.

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Foto acima on Visual Hunt

Cada conquista no violino deve ser motivo de alegria afinal é com muito empenho que se avança para um nível melhor. E assim o estudo fica mais leve, afinal não precisamos ser melhores que ninguém senão de nós mesmos fazendo nosso melhor nas condições que temos.
Vejamos o exemplo da Orquestra Landfill Harmonic do Paraguai. Esta é uma orquestra de instrumentos feitos de recicle de lixo. Esses estudantes tem tanta garra que fazem o melhor que podem com aquilo que têm.

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Crédito da foto acima: Gi Jadán on Visual Hunt/CC BY

 Se eles fossem se comparar porque o violino deles é de recicle de lixo e tantos outros tem um violino de madeira, ou se parassem para chorar a própria situação mas não, eles focaram no que era possível fazer porque eles só queriam aprender e se aperfeiçoar sendo melhores que eles mesmos a cada dia.

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Foto acima  da Orquestra Landfill salvo de Urban Gardens e encontrada no Pinterest

Bravos Luthiers que conseguiram transformar o lixo em instrumentos musicais e dar uma oportunidade a essas pessoas.
Bravos estudantes que tem a cabeça sempre a frente porque eles sabem que o mais difícil eles já estão fazendo que é aprender a tocar. Em outro momento da vida deles, poderão trocar de instrumento mas eles já terão construído anos de estudo. Já pensou se eles fossem esperar ter um violino bom para estudar? Quando finalmente conseguissem estariam começando a primeira lição.
Todo o nosso respeito a esta orquestra e quem puder ajudar a eles, a causa vale muito a pena. Uma garra como a da Fênix nascida das cinzas.

Conheça a Orquestra Landfill Harmonic clicando nos links abaixo:

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Orchestra Landfill “Recycled”

Concerto Orchestra Landfill Harmonic

 

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A Arte de Interpretar e a Vivência Emocional

 

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Certa vez, uma professora de música de câmara que também atuava como solista nos relatou algo com uma expressão de agradável surpresa. Ela nos contou que foi fazer um curso de aperfeiçoamento de seu instrumento em Portugal com uma renomada solista de piano que estava dando um curso de férias para músicos de alta performance. A princípio ela pensou que nem fosse ser possível conhecer Portugal visto que imaginou que tocaria piano sem parar de manhã até de noite no entanto o curso trabalhou algo muito superior a técnica do instrumento.

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Sua professora e dos demais alunos lhes informou que no período da manhã todos iriam plantar em sua fazenda e ter uma convivência social e a tarde sim teriam as aulas, os masterclasses de piano onde teriam oportunidade de tocar e aprender com ela muito sobre o instrumento.

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O curso todo teve a parte da manhã dedicado ao contato com a natureza desce muito cedo, ao plantio e ao convívio fraternal entre os alunos e a professora. Durante as tardes esta professora do curso lhes ensinava a colocar toda emoção em suas músicas. Com certeza foi uma mudança de paradigma para nossa professora de música de câmara porque segundo ela, nunca tocou tão bem sem ter tido que estudar de maneira tensa por saber que tocaria num masterclass na frente de outros pianistas e nem ter tido que estudar em tempo integral. (Lembrando aqui que a parte técnica da música já havia sido construída em toda sua estrutura e estavam num nível acima disso trabalhando expressividade para interpretar.)

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Nós aprendemos com ela algo que nós também sentimos ao longo de anos praticando que é a importância de viver a vida plenamente e como essa vivência fica arquivada em nossa bagagem emocional disponível a ser usada assim que a peça musical solicitar.

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Os compositores escrevem obras diferentes e cada uma desperta no intérprete certas emoções que devem ser transmitidas de maneira musical. Sentimentos de fúria, braveza, sublimidade, oração, alegria, nostalgia são alguns exemplos de sentimentos que sentimos vontade de expressar na música dependendo da composição.

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A vivência é muito importante afinal não somos robôs tocando mas seres emocionais.
Vou dar um exemplo mais claro: Se você vai tocar uma peça de Beethoven que traz em suas composições aqueles traços de energia, braveza , paixão, você sentirá que a composição pede esses sentimentos de você. E isso acontece de maneira natural sem precisar relacionar em qual momento de sua vida você se sentiu bravo (a) para conseguir expressar esta energia. Não, apenas acontece porque tudo esta registrado na vivência emocional de cada um.

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Após muito treino, com diversas repetições, diversos trechos trabalhados de uma maneira especial, quando a técnica já está superada naquela música, eis que surge enfim a alma que canta e a arte de interpretar, a parte mais gostosa de tocarmos um instrumento.

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Créditos da foto acima:limaoscarjuliet on visualhunt.com/ CC By

É quando nossa alma canta e se expressa na música transmitindo para além das notas musicais todo sentimento que o compositor sabe convidar a vir para a superfície.

 

Fotos : VisualHunt
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Uma Analogia: Expressividade Musical e Poesia

 

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A foto acima foi encontrada no Pinterest

Imagine um poeta com sua alma sensível querendo expressar o que lhe vai na alma mas sem saber escrever ou ler. É possível que ele registre sua arte desta maneira?
Ele só consegue registrar no papel sua sensibilidade e visão de mundo se primeiro ele tiver domínio da língua, da escrita, da leitura obviamente.

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A foto acima foi encontrada no Pixabay.

Esse domínio é apenas a parte técnica da coisa e serve apenas de instrumento para que ele brinque com as palavras elegantemente expressando seus sentimentos não é mesmo?
Esses sentimentos são a essência da sua arte. Ou seja, a arte usa a técnica como um instrumento para expressar a sensibilidade artística.

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A foto acima foi encontrada no Pixabay.

Da mesma maneira, quando  uma pessoa aprende a tocar um instrumento, percebe logo que primeiro ela tem que entender a técnica de como manipular aquele instrumento antes que consiga dar vazão a sua sensibilidade artística que está lá desejando se manifestar mas que ainda não sabe como se manifestar pela ponta dos dedos .

e5cc9f1413bc2f91add81436d9b62c24A foto acima foi encontrada no Pinterest.

E este aluno quando começa a dominar a técnica que lhe serve de suporte, começa a sentir a satisfação de conseguir expressar o que lhe vai na alma em sua música porque nada mais bloqueia esse fluxo que agora ele consegue transmitir por entre os dedos.

d9d580e73a02578b201c33d5ace378f8A foto acima foi encontrada no Pinterest.

Pensemos também na diferença que existe ao ouvinte em ouvir alguém lendo uma poesia ou alguém declamando uma poesia.
Quando a poesia é declamada, tem ali toda a alma da pessoa sentindo cada parte dela. É muito diferente da leitura fria de um texto.

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A foto acima foi encontrada no Pixabay.

Da mesma forma o músico deve aprender e ter por objetivo “declamar” as melodias de uma frase musical ao invés de tocá- las friamente sem expressar ali sentimentos.

É possível desenvolver essa expressividade artística em tudo que se estuda, ainda que seja um material técnico, porém só sobra espaço para a expressividade artística quando  o material a ser estudado  se encontra suficientemente “digerido”.

Ninguém estuda música apenas para tocar “certo”. Todos buscam manifestar sentimentos, a beleza que suas almas sentem.

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A foto acima foi encontrada no Pixabay.

Os poetas da mesma forma, ao escrever a poesia querem transmitir uma mensagem , transmitindo muito de sua sensibilidade de alma.

E para quem aprecia toda expressão de arte , eleva junto suas vibrações, aceitando o convite do artista a passear em outras vibrações de belezas infinitas e se beneficia dessa elevação. É bom tanto para o artista quanto para os apreciadores da arte.

Muita paz a todos, Catarina.

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Os melhores violinistas do séculoXX – Parte 5 – Yehudi Menuhim

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Foto salva de schubertiade music and arts e encontrada no Pinterest

Pesquisando sobre este notável violinista, destacamos aqui algumas de suas citações próprias para que de início de conversa, os leitores possam se aperceber que se trata não só de um dos melhores violinistas do século XX mas também de um homem com valores morais, humilde.

Minha infância foi notavelmente livre dos efeitos de formadores da competição. Os padrões com os quais eu medi minhas conquistas foram os mais altos, e a tentativa foi feita com admiração reverente, não em um desejo de ser reconhecido como superior.”

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O violino, através da serena clareza de seu canto, ajuda a manter-me na tempestade, como uma luz na noite, uma bússola na tempestade, nos mostra um caminho para um refúgio de sinceridade e respeito.”

Yehudi Menuhim

Yehudi Menuhim considerava a música como uma oração audível e melodiosa. Considerava a música como algo muito natural e indispensável.
Ele era contra o pensamento de que você não pode fazer música a menos que seja perfeitamente. Menuhim acreditava que é a música que aperfeiçoa o artista e não o contrário.
Menuhim via a música como um suporte para a vida.

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Foto salva de articles.sfgate.com e encontrada no Pinterest.

Yehudi Menuhim nasceu em Nova Iorque, EUA em 22 de abril de 1916. Ele se naturalizou suíço em 1970 e britânico em 1985.
Menuhim iniciou seus estudos de violino em 1921 com o professor Sigmund Anker.Quando tinha 7 anos tocou pela primeira vez em público. Nesta época, seu professor era Louis Persinger e este lhe acompanhou neste concerto. Dois anos depois Menuhim se apresentou pela primeira vez oficialmente com a Orquestra de São Francisco. No ano seguinte passou a estudar com George Enescu e neste mesmo ano se apresentou pela primeira vez no Carnegie Hall , Nova Iorque.

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Foto salva de montagnana books.com e encontrada no Pinterest

Em 1935 fez apresentações na Austrália, Nova Zelândia, África e países europeus.
Uma atitude muito humana dele foi que durante a segunda guerra mundial tocou para as tropas e soldados aliados. No último ano desta guerra, em 1945, Menuhim tocou para os sobreviventes dos Campos de concentração e também na Assembleia inaugural das Nações Unidas, em São Francisco.
Seu lado humano incentivava jovens a tocar em hospitais e prisões pois acreditava no poder da música para fazer as pazes.

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Foto salva de szatrawsku.blogspot.com e encontrada no Pinterest. Nesta foto Yehudi Menuhim como solista de violino em concerto erudito acompanhado por orquestra.

Durante o ano de 1951, seus concertos foram feitos também no Japão e em 1955 Menuhim mudou-se para a Europa.
Yehudi Menuhim passou a se envolver mais com festivais, orquestras e organizações a partir dos anos 60.
De 1959 a 1968 foi diretor artístico do Festival Bath, fundando a Bath Festival Orquestra. Fundou também a Yehudi Menuhim School em Londres, mas posteriormente esta escola foi transferida para Surrey.
No ano de 1969, Menuhim assumiu a direção artística do Festival de Windsor em parceria com Ian Hunter.
Menuhim também atuava como maestro. Em 1975 regeu pela primeira vez a Royal Philarmonic Orquestra.
Entre as décadas de 60 e 70 fez algumas de suas mais famosas parcerias com músicos de outros gêneros musicais como o indiano Ravi Shankar e o violinista francês de jazz Stéphane Grappelli. Na play list do final desta postagem, vocês encontrarão os links para ouvir Yehudi Menuhim tocando também em outros gêneros musicais como com este músico indiano e com o músico de jazz.

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Na foto acima Yehudi Menuhim (a esquerda) com o violinista de jazz Sthéphane Grappelli (a direita). Ambos formaram um duo de violino no jazz muito famoso. Foto salva de last.fm e encontrada no Pinterest.

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Yehudi Menuhim (a esquerda) com o músico indiano Ravi Shankar. Ambos formaram um grupo famoso de música de câmera no estilo indiano. Foto do fotógrafo David Farrel e encontrada em Getty imagens.

Menuhim foi o primeiro violinista ocidental a se tornar professor honorário do Conservatório de Pequim, China no ano de 1979.

Em 1980 se apresentou em evento esportivo, nas Olimpíadas de Inverno em Laje Plácido, EUA.
Em 1987, a rainha da Inglaterra fez dele um membro da Ordem ao Mérito do Reino Unido e em 1993 tornou-se Barão, recebendo assento na Casa dos Lordes.
Aos 80 anos, em 1996 regeu mais de 110 concertos. Neste ano se apresentou pela última vez como solista de violino no 40 festival de Gstaad.

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A foto acima foi salva de scontent.adninstagram.com e encontrada no Pinterest

Menuhim conduziu o Concerto para a paz em Sarajevo com o apoio da UNESCO.
Em 12 de março de 1999 Menuhim morreu em Berlim, de bronquite. Ele estava nesta cidade para se apresentar com a Orquestra Sinfônica de Varsóvia.
Yehudi Menuhim também escreveu os livros: Autobiografia da viagem inacabada; O Violino; Violino: Seis lições com Yehudi Menuhim; Guias de música Menuhim.

Menuhim ganhou inúmeros prêmios no decorrer de sua vida. Fez gravações de 1928 até a sua morte. Tinha um contrato com a EMI, que hoje é administrada pela Warner Classics e este contrato foi o mais longo da história da música fonográfica.
Ninguém superou suas gravações de concertos para violino de Elgar e dos concertos de Beethoven e Brahms sob a batuta de Furtwangler.Vamos deixar essas gravações na play list do final desta postagem para vocês apreciarem essas melodias.

Se quiserem, vale a pena conferir o Site Oficial Yehudi Menuhim cujo arquivo foi adquirido em 2004 pela Royal Academia Oficial  de Música em Londres e que serviu de inspiração para esta matéria, juntamente com a Wikipédia.

photo_20181002_121108Foto salva de bryony.org e encontrada no Pinterest.

Fiquemos com esta imagem alegre radiante de Yehudi Menuhim e ouçamos a Play List :

Em primeiro lugar vamos colocar as obras eruditas.

Concerto de Beethoven – Yehudi Menuhim

Concerto de Brahms – Yehudi Menuhim

Concerto de Elgar – Yehudi Menuhim

Vejam neste próximo link Yehudi Menuhim atuando ao mesmo tempo como solista e maestro Concerto 3 de Mozart para violino – Yehudi Menuhim

E agora vamos deixar os links de Yehudi Menuhim tocando em outros gêneros musicais:

Trio indiano – Yehudi Menuhim

Duo Indiano – Yehudi Menuhim e Ravi Shankar

Duo de violinos -jazz- Yehudi Menuhim e Stéphane Grappelli

Jalousie – Jazz – Yehudi Menuhim e Stéphane Grappelli.

Cada músico deixa um pouco de sua vibração em sua maneira de tocar. Apreciemos este belíssimo artista.

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Os melhores violinistas do século XX – Parte 4 – David Oistrakh

 

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David Oistrakh nasceu em Amsterdã em 30 de setembro de 1908 numa família judáica.Sua mãe era cantora de ópera e a música era uma coisa muito natural e familiar para ele.
Com 3 anos ganhou seu primeiro violino e em sua inocência gostava de ir para a rua com ele, com seu “brinquedo” e sonhava ser violinista de rua. Mas foi com 5 anos que ganhou outro violino, agora com um tom mais sério. Então iniciou seus estudos de violino e viola com o professor Piotr Solomanovich Stoliarsky, professor que tinha ótimos alunos que se tornaram excelentes violinistas.
Um de seus colegas de curso, com o mesmo professor foi Nathan Milstein, inclusive tocaram nas mesmas audições. Piotr foi o único professor de  David Oistrakh.

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O primeiro concerto público relevante foi em 1927 interpretando o concerto para violino de Glazunov em Kiev e neste concerto, o próprio compositor atuou como maestro.
Em 1928 Oistrakh mudou-se para Moscou.
David Oistrakh ganhou inúmeros prêmios: Prêmio Stalin, Ordem de Lenin, Artista do Povo da União Soviética, Ordem da Insígnia da Honra, Prêmio Lenin, Ordem do Leão da Finlândia, Grammy Award, além de medalhas de honra ao mérito.
Em 1935, aos 16 anos ganhou em segundo lugar o concurso Wieniawski e ficou internacionalmente conhecido.

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Em 1937 venceu o concurso Ysaye em Bruxelas.
Em 1938 foi nomeado professor do Conservatório de Moscou.
A guerra adiou sua carreira ascendente mas estreitou também algumas amizades com os compositores Khachaturian e Shostakovich e cada um deles ofertou uma obra de sua autoria a Oistrakh.
David Oistrakh tocou em pelo menos sete violinos Stradivarius da União Soviética e ele amava um arco de André Richaume.

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A foto acima foi salva de o.clubeupload.com e encontrada no Pinterest. David limpando o violino.

Como vemos, David Oistrakh atuou como violinista, pedagogo e maestro. É considerado um dos mais proeminentes violinistas do século XX e tinha uma técnica incrível e mantinha uma fidelidade estilística ao interpretar diversas obras, de diversos períodos da história musical.
David faleceu de ataque cardíaco após atuar como maestro, regendo sinfonias de Brahms em Amsterdã em 24 de outubro de 1974.

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A direita Igor Oistrakh (filho) e a esquerda David Oistrakh (pai). Foto salva de bach-cantatas.com e encontrada no Pinterest.

Oistrakh faleceu mas deixou um filho violinista: Igor Oistrakh, inclusive pai e filho tocaram juntos em concertos, gravações e vamos deixar abaixo uma play list  com diversas músicas maravilhosas de David Oistrakh tocando mas vamos começar pelo concerto onde David (pai) e Igor Oistrakh (filho) tocam juntos o concerto para dois violinos de Bach lindamente.

Clique aqui na parte colorida para assistir:

Concerto para dois violinos de Bach com David e Igor Oistrakh (pai e filho). 

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A direita Igor Oistrakh (filho) e a esquerda David Oistrakh (pai). Foto salva de eBay France e encontrada no Pinterest.

Outra coletânea musical onde David e Igor Oistrakh tocam juntos:

Coletânea de músicas por David e Igor Oistrakh

Agora Concertos, Sonatas belíssimas (as nossas prediletas) tocadas por David Oistrakh com todo o seu virtuosismo:

Fantasia Escocesa de Max Bruch tocada por David Oistrakh

Concerto de Beethoven para violino tocada por David Oistrakh

Concerto de Brahms para violino com David Oistrakh

Concerto de Glazunov para violino com David Oistrakh

Sonata 5 Beethoven para violino e piano com David Oistrakh

Sonata 9 Beethoven para violino e piano com David Oistrakh

E por último separamos os presentes dos amigos compositores de David Oistrakh que durante a guerra, dedicaram especialmente a ele essas obras de violino que colocaremos abaixo:

Khachaturian – Concerto dedicado a David Oistrakh durante a guerra

Shostakovich- Presente a David Oistrakh durante a guerra

Tenham todos uma ótima audição e até a proxima.

 

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